Há males que vem para o bem.
No 2º
bimestre da minha 6ª série, na minha antiga escola, sentava-me ao lado de uma
garota que era minha colega na época, a Bianca. Fora muito minha amiga. Eu a
tinha recebido muito bem no colégio após o tempo que ela passara no exterior
com sua família. Seu pai era jogador de futebol e jogara em times do Brasil,
França e China.
O problema
era que a Bianca tinha o péssimo hábito de dispersar durante as aulas, de não
prestar a mínima atenção no que o professor falava e não copiar o que era
escrito no quadro negro, passava as aulas a desenhar, conversar e escrever
bilhetinhos inúteis. Também não se empenhava nas tarefas escolares. Eu não possuía
essas características, era ótima aluna.
Sentávamos
bem no fundo da sala, e, como se não bastasse, formávamos uma barreira que
impedia a visão do professor, empilhando materiais escolares na parte frontal
das nossas classes, chamávamos de muralha da China, lembrando o fato de que
Bianca morara lá por bons anos. E tudo era brincadeira para nós.
Passei a
adquirir seus maus hábitos. Conseqüentemente tirei notas baixas nas provas
bimestrais e a média final do bimestre também foi ruim. Devido ao meu baixo
rendimento escolar os professores prontamente mudaram o espelho de classe.
Isto foi um
grande e valioso aprendizado para mim, e continua sendo, tanto quanto de
escolher melhor minhas companhias, como também de me esforçar no colégio
sempre.
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