terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma história


Na rica Belo Horizonte, morava uma garota de 16 anos, para fazer 17 anos, ela acabara o ensino médio em uma linda formatura, porém sem ter idéias do que prestar vestibular. Na verdade, ela pouca coisa sabia da sua vida e menos ainda com certeza. Sua mente estava confusa e ainda com os restos dos pensamentos do ensino médio, que se tinha esvaído de suas mãos.

E, naquele dia 23 de dezembro aceitou o convite de passar suas ferias de verão com sua tia e sua prima, numa cidade do interior do estado, onde imaginava encontrar paz e tranqüilidade para pensar na sua vida e tomar sérias decisões.

Porém ela nunca imaginaria o quão marcante seria essa experiência e o quanto isso acrescentaria no seu emocional e psicológico.

Era já pelo dia 4 de Janeiro quando partiu de Belo Horizonte, rumo à casa de sua tia e sua prima. A viagem fora longa, mas o que fora pior que o tempo real da viagem é que suas preocupações atormentavam a pobre Mariana, que não conseguia aproveitar as lindas paisagens que separavam Belo Horizonte da cidade de interior pra onde ia. Sua mente não descansava, estava inquieta, ansiosa, imaginando como seria o verão na presença de sua tia e sua prima que não tinha muito contato e num local totalmente diferente do que estava habituada. Estava ansiosa e receosa, mas ao mesmo tempo muito empolgada e repleta de sonhos e expectativas para aquele verão, mesmo sem saber se elas seriam cumpridas.

 

Nunca Mariana imaginou ser tão angustiante a espera. Mas, ao passo que pensava em tantas coisas, sua mente cansou e Mariana adormeceu.

- Atenção, passageiros com destino a estação 440 da Br 40 para desembarque. Aos demais passageiros desejamos que estejam bem acomodados e lembramos aos passageiros que vão desembarcar em Paracatu que restam apenas duas paradas até lá, Faltam apenas 10 Km para a chegada, e está prevista para daqui a 30 minutos. Obrigada pela atenção, Minas sobre rodas a seu serviço.

Mariana (Pensando) - Hum? Quê? Olha, estamos perto de Paracatu, onde minha tia mora. Ah, se não fosse o senhor que fala estranho no microfone pra me acordar. Minha nossa, que paisagens legais tem por aqui. Espere um pouco, campos? Vacas? Ah, o que vim fazer aqui? Como minha querida prima Julia agüenta viver aqui? Coitada, tem a minha idade mas não sabe como é a vida na cidade grande. A vida dela deve ser muito diferente da minha. Não a vejo desde criança, quando aos 7 anos vim aqui, mas lembro de pouquíssimas coisas. E a tia Carla, então? Que não vem a capital desde 2003, quando seu marido morreu. Já fazem 4 anos, mas vejo que ela e Julia ainda sofrem muito com isso.

- Serviço de bordo, aceita suco de laranja? Bolacha Maria?

(Mariana) - Não, obrigada.

Mariana (Pensamento) - Ba, estou meio enjoada. Acho que foi aquela barra de chocolate inteira que comi na rodoviária antes de partir. Como se não bastasse, esse pinga-pinga balança mais que brinquedo de parque. Ninguém merece!

- Serviço de bordo, aceita um hambúrguer? Coca-cola?

Mariana- Sim, aceito. (Ah, espero que eu não vomite).

- Atenção passageiros da estação 441 da Br 40, para desembarque. Lembramos que a próxima parada é em Paracatu. Chegada estimada em 15 minutos. Aproveitem a viagem.

Mariana- Hei, moço. Tira uma foto minha aqui na janela?

- Claro.

Mariana (Pensamento)- Pronto, agora vou botar isso no orkut quando eu voltar, se bem que ainda falta bastante tempo. Todos vão ver que vim pra um lugar bem distante. Hei! Tem até porcos na minha foto! Por isso eu não esperava.

- Gostaríamos de avisar que há um trecho complicado perto do desembarque em Paracatu. A estrada está bastante embarrada e de difícil acesso. Desembarque em 8 minutos.

Mariana (Pensamento)- Ah, que legal, agora vou rever minha prima e minha querida tia, que não vejo há tanto tempo. Como será que elas estão? Será que a Julia tá a mesma? Ah, ela deve ter mudado desde a época que nós brincávamos de casinha. Bem, a tia Carla falou que arrumou um espaço pra mim lá na casa delas. Mal posso esperar.

- Chamada para desembarque em Paracatu. Agradecemos por escolherem a Minas sobre rodas. Lembramos que a próxima parada é daqui a 40 minutos.

Mariana- Ai! Chegou a hora.

Ela assim como os outros passageiros que estavam descendo em Paracatu desembarcaram normalmente e se deslocaram para o espaço central da rodoviária, que não era muito grande.

Carla- Mariana, é você? Mal te reconheci. Estás grande, cresceste muito. Ah, esse é o Pedro, meu ajudante. Como foi a viagem?

Pedro- Prazer Mariana.

Mariana- Oi tia, há quanto tempo. Minha mãe te mandou um grande beijo. Prazer Pedro. A viagem foi boa. E a Julia? Cadê ela? Mal posso esperar para revê-la.

Carla- Ah, pois é. A Julia também quer te ver Mari. Mas ela machucou o pé faz 2 dias está em repouso. Não foi nada grave, mas achamos melhor que ficasse em casa.

Mariana- Ah, sim. Tudo bem, eu entendo. Vamos lá então? Estou ansiosa para conhecer a cidade e ver como estão as coisas lá na propriedade.

Carla- Ah, sim. Claro, Vamos logo. Até porque está prevista chuva pela noite. Se sairmos daqui agora, chegaremos lá antes de escurecer. Também porque o caminho já está um tanto embarrado.

Mariana- É, fiquei sabendo.

Pedro- Eu ajudo com a bagagem.

E foram os três de jipe, até chegarem a propriedade. Foi mais uma hora de deslocamento. Em boa parte do tempo Mari pensava como que sua prima teria machucado o pé, mas achou melhor perguntar diretamente a ela. Reparou que existiam varias colinas, morros e montanhas, e inclusive algumas cavernas rochosas. Isso instigou bastante sua curiosidade. Sem falar de uns arbustos arroxeados que viu pelos campos. Nem imaginaria o que poderiam esconder.

Logo o jipe com as 3 personagens passou pela padaria mais próxima da propriedade, nela trabalhava seu Thomas, há mais de 20 anos.

Thomas- Olá Carla, vai uns pãezinhos hoje?

Carla- Sim, temos uma visita muito especial hoje. Minha sobrinha Mariana que mora na capital veio nos visitar depois de quase 10 anos sem se vermos. Quero 8 pães.

Thomas- No capricho, Dona Carla. Estão quentinhos. E aproveite bastante os ares da roça, Mariana.

Mariana- Obrigada, vou sim.

E seguiram seu caminho até a propriedade da família. Logo em frente também encontraram o dono da fruteira, seu Jorge, oferecendo melancias.

Jorge- Olá Dona Carla, Seu Pedro, visitante simpática. Estão interessados em uma melancia bem suculenta?

Carla- Sim, Seu Jorge. Pode ver uma aí pra nós. Mas, me diga, como vai sua esposa?

Jorge- Como, sempre. Ela sofre sempre da diabetes, mas como aqui não chegam todos os meses os medicamentos que ela precisa, não consegue ter estabilidade e controle da doença.

Carla- Estimo às melhoras da sua esposa então, seu Jorge.

Jorge- Obrigado, e bom passeio pra vocês.

Então as personagens seguiram e após 3km chegaram na propriedade. Julia os esperava lá, como tinha dito sua mãe a Mariana.

Carla- Filha, chegamos. Venha cumprimentar sua prima.

Julia- Oi Mari. Que saudade. Fazia tanto tempo que não nos víamos! Você está diferente. Queria tanto te ver.

Mari- Oi Jú, você mudou bastante. Estava ansiosa para te ver. Éramos tão amigas durante a infância. Vamos conversar bastante.

Carla- Pode mostrar a casa e depois a propriedade pra Mari, filhota. Vão lá.

Jú- Certo mãe.

Mariana e Júlia foram para dentro da casa. Júlia estava mancando um pouco, mas parecia não haver nada no seu pé.

Jú- Mari, é aqui que você vai dormir. No meu quarto!

Mari- Legal! Jú, quero saber uma coisa. O que houve com o seu pé?

Jú- Ok. Vou te contar a história. Mas você vai ter que prometer que não vai contar nada pra minha mãe, ok?

Mari- Claro, ok.

Jú- Bem, na real, com o meu pé, não houve nada. Fingi um machucado porque estava interessada em aproveitar o tempo que minha mãe levaria para te buscar na rodoviária para assuntos de muita importância e dos quais minha mãe não pode saber. Ela estã sempre por perto, é difícil esconder as coisas dela.

Mari- Hum, certo. Entendi. Mas, fala mais. Fiquei curiosa, tem alguma coisa aqui que eu deva saber?

Jú- Bem, tem. Vou te contar enquanto caminhamos pela propriedade para que a conheças.

Então as duas deixaram seus pertences na casa e foram caminhar pela propriedade, durante o pôr-do-sol.

Jú- Olha, aqui em frente a casa fica o jardim (Norte da casa). Atrás da casa temos os porcos (Sul da casa), atrás dos porcos o galinheiro. A Oeste da casa está o lago. Ao lado dos porcos e do lago, há um pomar bem extenso em comprimento. Lado ao pomar e do lago, se afastando da casa, temos o campo, onde criamos as vacas, os cavalos. Do lado do campo e na continuação do pomar, temos um caminho cercado por arbustos arroxeados, especialidade dessa região de Paracatu, que leva ao labirinto desses arbustos que temos aqui na propriedade. Teoricamente, aí acaba nosso terreno. Porém, seguindo o labirinto pelo caminho certo, chegando até o centro, nós enterramos o material necessário para passar por um passagem secreta que abrimos em uma parte da cobertura de arbustos. Passando pela passagem, demarcamos uma trilha por entre a floresta de pinheiros que há atrás da propriedade. Essa trilha leva às bases dos morros e montanhas que temos atrás da floresta, isso já é bem distante da casa.

Mari- Nossa, que legal, nunca eu imaginaria isso.

Jú- Pois é. Acontece que há anos atrás, eu e meus amigos descobrimos uma caverna dentro de um desses morros. Nós tapamos a entrada com umas técnicas muito especiais que temos e fica imperceptível que há uma caverna ali.

Mari- Puxa, que aventura. Incrível.

Jú- Dentro dessa caverna organizamos como que um QG (quartel general), onde podemos ficar sossegados e distantes dos pais. Lá temos muitos equipamentos. Lá nós nos divertimos muito.

Mari- Que legal! Quero que me leve até lá amanha.

Jú- Certo, pode ser.

Mari- Combinado então.

Jú- Ah, vamos nós e meus amigos, tá?

Mari- Certo, me apresenta a eles amanha.

Jú- Sim, é a Paula, o Roberto,  a Nicole, o Henrique e o Tobias.

Mari- Que legal! Mal posso esperar até amanha.

Jú- Melhor nós voltarmos.

Mari- Sim, está ficando escuro.

Elas voltaram pra casa, Carla já as esperava com uma deliciosa janta preparada por ela. Após a janta, elas arrumaram suas coisas e foram dormir. No dia seguinte, acordaram as 9:00, tomaram café e logo saíram para o passeio combinado.

Jú- Esses são meus amigos, Mari.

Paula- Prazer Mari eu sou a Paula.

Roberto- Prazer me chamo Roberto.

 Nicole- Oi meu nome é Nicole, prazer.

Henrique- Oi

Tobias- Seja bem vinda à Paracatu e a galera da mina.

Mari- Prazer, muito obrigada.

Jú- Vamos lá, sem perder tempo.

E os amigos foram caminhando pelo pomar em direção ao labirinto e à floresta de pinheiros. Quando chegaram no labirinto, Mari foi picada por uma serpente que por ali passava, tendo se escondido entre os arbustos para pegá-la de surpresa.

Mari- Aaaaaaaaaaaa!

Roberto- Rápido, vamos levá-la no posto.

Henrique- Eu ajudo a carregar.

Paula- Vamos, Tobias, mate a cobra e traga junto.

Tobias- Certo.

Nicole- Ai que horror.

Jú- Vamos manter a calma.

E assim Mari foi socorrida e observou de perto os procedimentos, e isso a interessou muito. Então decidiu que gostaria de ser auxiliar de enfermagem. Muitos em Belo Horizonte dizem que foi uma má experiência, porque depois daquilo, ela voltou para a capital, mas ela acredita que isso foi bom, pois decidiu o que queria da vida.

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