Na rica Belo Horizonte, morava
uma garota de 16 anos, para fazer 17 anos, ela acabara o ensino médio em uma
linda formatura, porém sem ter idéias do que prestar vestibular. Na verdade,
ela pouca coisa sabia da sua vida e menos ainda com certeza. Sua mente estava
confusa e ainda com os restos dos pensamentos do ensino médio, que se tinha
esvaído de suas mãos.
E, naquele dia 23 de dezembro
aceitou o convite de passar suas ferias de verão com sua tia e sua prima, numa
cidade do interior do estado, onde imaginava encontrar paz e tranqüilidade para
pensar na sua vida e tomar sérias decisões.
Porém ela nunca imaginaria o quão
marcante seria essa experiência e o quanto isso acrescentaria no seu emocional
e psicológico.
Era já pelo dia 4 de Janeiro
quando partiu de Belo Horizonte, rumo à casa de sua tia e sua prima. A viagem
fora longa, mas o que fora pior que o tempo real da viagem é que suas
preocupações atormentavam a pobre Mariana, que não conseguia aproveitar as
lindas paisagens que separavam Belo Horizonte da cidade de interior pra onde
ia. Sua mente não descansava, estava inquieta, ansiosa, imaginando como seria o
verão na presença de sua tia e sua prima que não tinha muito contato e num
local totalmente diferente do que estava habituada. Estava ansiosa e receosa,
mas ao mesmo tempo muito empolgada e repleta de sonhos e expectativas para
aquele verão, mesmo sem saber se elas seriam cumpridas.
Nunca Mariana imaginou ser tão
angustiante a espera. Mas, ao passo que pensava em tantas coisas, sua mente
cansou e Mariana adormeceu.
- Atenção, passageiros com
destino a estação 440 da Br 40 para desembarque. Aos demais passageiros
desejamos que estejam bem acomodados e lembramos aos passageiros que vão
desembarcar em Paracatu que restam apenas duas paradas até lá, Faltam apenas 10
Km para a chegada, e está prevista para daqui a 30 minutos. Obrigada pela
atenção, Minas sobre rodas a seu serviço.
Mariana (Pensando) - Hum? Quê?
Olha, estamos perto de Paracatu, onde minha tia mora. Ah, se não fosse o senhor
que fala estranho no microfone pra me acordar. Minha nossa, que paisagens
legais tem por aqui. Espere um pouco, campos? Vacas? Ah, o que vim fazer aqui?
Como minha querida prima Julia agüenta viver aqui? Coitada, tem a minha idade
mas não sabe como é a vida na cidade grande. A vida dela deve ser muito
diferente da minha. Não a vejo desde criança, quando aos 7 anos vim aqui, mas
lembro de pouquíssimas coisas. E a tia Carla, então? Que não vem a capital
desde 2003, quando seu marido morreu. Já fazem 4 anos, mas vejo que ela e Julia
ainda sofrem muito com isso.
- Serviço de bordo, aceita suco
de laranja? Bolacha Maria?
(Mariana) - Não, obrigada.
Mariana (Pensamento) - Ba, estou
meio enjoada. Acho que foi aquela barra de chocolate inteira que comi na
rodoviária antes de partir. Como se não bastasse, esse pinga-pinga balança mais
que brinquedo de parque. Ninguém merece!
- Serviço de bordo, aceita um
hambúrguer? Coca-cola?
Mariana- Sim, aceito. (Ah, espero
que eu não vomite).
- Atenção passageiros da estação
441 da Br 40, para desembarque. Lembramos que a próxima parada é em Paracatu.
Chegada estimada em 15 minutos. Aproveitem a viagem.
Mariana- Hei, moço. Tira uma foto
minha aqui na janela?
- Claro.
Mariana (Pensamento)- Pronto,
agora vou botar isso no orkut quando eu voltar, se bem que ainda falta bastante
tempo. Todos vão ver que vim pra um lugar bem distante. Hei! Tem até porcos na
minha foto! Por isso eu não esperava.
- Gostaríamos de avisar que há um
trecho complicado perto do desembarque em Paracatu. A estrada está bastante embarrada
e de difícil acesso. Desembarque em 8 minutos.
Mariana (Pensamento)- Ah, que
legal, agora vou rever minha prima e minha querida tia, que não vejo há tanto
tempo. Como será que elas estão? Será que a Julia tá a mesma? Ah, ela deve ter
mudado desde a época que nós brincávamos de casinha. Bem, a tia Carla falou que
arrumou um espaço pra mim lá na casa delas. Mal posso esperar.
- Chamada para desembarque em
Paracatu. Agradecemos por escolherem a Minas sobre rodas. Lembramos que a
próxima parada é daqui a 40 minutos.
Mariana- Ai! Chegou a hora.
Ela assim como os outros
passageiros que estavam descendo em Paracatu desembarcaram normalmente e se
deslocaram para o espaço central da rodoviária, que não era muito grande.
Carla- Mariana, é você? Mal te
reconheci. Estás grande, cresceste muito. Ah, esse é o Pedro, meu ajudante.
Como foi a viagem?
Pedro- Prazer Mariana.
Mariana- Oi tia, há quanto tempo.
Minha mãe te mandou um grande beijo. Prazer Pedro. A viagem foi boa. E a Julia?
Cadê ela? Mal posso esperar para revê-la.
Carla- Ah, pois é. A Julia também
quer te ver Mari. Mas ela machucou o pé faz 2 dias está em repouso. Não foi
nada grave, mas achamos melhor que ficasse em casa.
Mariana- Ah, sim. Tudo bem, eu
entendo. Vamos lá então? Estou ansiosa para conhecer a cidade e ver como estão
as coisas lá na propriedade.
Carla- Ah, sim. Claro, Vamos
logo. Até porque está prevista chuva pela noite. Se sairmos daqui agora,
chegaremos lá antes de escurecer. Também porque o caminho já está um tanto
embarrado.
Mariana- É, fiquei sabendo.
Pedro- Eu ajudo com a bagagem.
E foram os três de jipe, até
chegarem a propriedade. Foi mais uma hora de deslocamento. Em boa parte do
tempo Mari pensava como que sua prima teria machucado o pé, mas achou melhor
perguntar diretamente a ela. Reparou que existiam varias colinas, morros e
montanhas, e inclusive algumas cavernas rochosas. Isso instigou bastante sua
curiosidade. Sem falar de uns arbustos arroxeados que viu pelos campos. Nem
imaginaria o que poderiam esconder.
Logo o jipe com as 3 personagens
passou pela padaria mais próxima da propriedade, nela trabalhava seu Thomas, há
mais de 20 anos.
Thomas- Olá Carla, vai uns
pãezinhos hoje?
Carla- Sim, temos uma visita
muito especial hoje. Minha sobrinha Mariana que mora na capital veio nos
visitar depois de quase 10 anos sem se vermos. Quero 8 pães.
Thomas- No capricho, Dona Carla.
Estão quentinhos. E aproveite bastante os ares da roça, Mariana.
Mariana- Obrigada, vou sim.
E seguiram seu caminho até a
propriedade da família. Logo em frente também encontraram o dono da fruteira,
seu Jorge, oferecendo melancias.
Jorge- Olá Dona Carla, Seu Pedro,
visitante simpática. Estão interessados em uma melancia bem suculenta?
Carla- Sim, Seu Jorge. Pode ver
uma aí pra nós. Mas, me diga, como vai sua esposa?
Jorge- Como, sempre. Ela sofre
sempre da diabetes, mas como aqui não chegam todos os meses os medicamentos que
ela precisa, não consegue ter estabilidade e controle da doença.
Carla- Estimo às melhoras da sua
esposa então, seu Jorge.
Jorge- Obrigado, e bom passeio
pra vocês.
Então as personagens seguiram e
após 3km chegaram na propriedade. Julia os esperava lá, como tinha dito sua mãe
a Mariana.
Carla- Filha, chegamos. Venha
cumprimentar sua prima.
Julia- Oi Mari. Que saudade.
Fazia tanto tempo que não nos víamos! Você está diferente. Queria tanto te ver.
Mari- Oi Jú, você mudou bastante.
Estava ansiosa para te ver. Éramos tão amigas durante a infância. Vamos
conversar bastante.
Carla- Pode mostrar a casa e
depois a propriedade pra Mari, filhota. Vão lá.
Jú- Certo mãe.
Mariana e Júlia foram para dentro
da casa. Júlia estava mancando um pouco, mas parecia não haver nada no seu pé.
Jú- Mari, é aqui que você vai
dormir. No meu quarto!
Mari- Legal! Jú, quero saber uma
coisa. O que houve com o seu pé?
Jú- Ok. Vou te contar a história.
Mas você vai ter que prometer que não vai contar nada pra minha mãe, ok?
Mari- Claro, ok.
Jú- Bem, na real, com o meu pé,
não houve nada. Fingi um machucado porque estava interessada em aproveitar o
tempo que minha mãe levaria para te buscar na rodoviária para assuntos de muita
importância e dos quais minha mãe não pode saber. Ela estã sempre por perto, é
difícil esconder as coisas dela.
Mari- Hum, certo. Entendi. Mas,
fala mais. Fiquei curiosa, tem alguma coisa aqui que eu deva saber?
Jú- Bem, tem. Vou te contar
enquanto caminhamos pela propriedade para que a conheças.
Então as duas deixaram seus
pertences na casa e foram caminhar pela propriedade, durante o pôr-do-sol.
Jú- Olha, aqui em frente a casa
fica o jardim (Norte da casa). Atrás da casa temos os porcos (Sul da casa),
atrás dos porcos o galinheiro. A Oeste da casa está o lago. Ao lado dos porcos
e do lago, há um pomar bem extenso em comprimento. Lado ao pomar e do lago, se
afastando da casa, temos o campo, onde criamos as vacas, os cavalos. Do lado do
campo e na continuação do pomar, temos um caminho cercado por arbustos
arroxeados, especialidade dessa região de Paracatu, que leva ao labirinto
desses arbustos que temos aqui na propriedade. Teoricamente, aí acaba nosso
terreno. Porém, seguindo o labirinto pelo caminho certo, chegando até o centro,
nós enterramos o material necessário para passar por um passagem secreta que
abrimos em uma parte da cobertura de arbustos. Passando pela passagem,
demarcamos uma trilha por entre a floresta de pinheiros que há atrás da
propriedade. Essa trilha leva às bases dos morros e montanhas que temos atrás
da floresta, isso já é bem distante da casa.
Mari- Nossa, que legal, nunca eu
imaginaria isso.
Jú- Pois é. Acontece que há anos
atrás, eu e meus amigos descobrimos uma caverna dentro de um desses morros. Nós
tapamos a entrada com umas técnicas muito especiais que temos e fica
imperceptível que há uma caverna ali.
Mari- Puxa, que aventura.
Incrível.
Jú- Dentro dessa caverna
organizamos como que um QG (quartel general), onde podemos ficar sossegados e
distantes dos pais. Lá temos muitos equipamentos. Lá nós nos divertimos muito.
Mari- Que legal! Quero que me
leve até lá amanha.
Jú- Certo, pode ser.
Mari- Combinado então.
Jú- Ah, vamos nós e meus amigos, tá?
Mari- Certo, me apresenta a eles
amanha.
Jú- Sim, é a Paula, o
Roberto, a Nicole, o Henrique e o
Tobias.
Mari- Que legal! Mal posso
esperar até amanha.
Jú- Melhor nós voltarmos.
Mari- Sim, está ficando escuro.
Elas voltaram pra casa, Carla já
as esperava com uma deliciosa janta preparada por ela. Após a janta, elas
arrumaram suas coisas e foram dormir. No dia seguinte, acordaram as 9:00,
tomaram café e logo saíram para o passeio combinado.
Jú- Esses são meus amigos, Mari.
Paula- Prazer Mari eu sou a
Paula.
Roberto- Prazer me chamo Roberto.
Nicole- Oi meu nome é Nicole, prazer.
Henrique- Oi
Tobias- Seja bem vinda à Paracatu
e a galera da mina.
Mari- Prazer, muito obrigada.
Jú- Vamos lá, sem perder tempo.
E os amigos foram caminhando pelo
pomar em direção ao labirinto e à floresta de pinheiros. Quando chegaram no
labirinto, Mari foi picada por uma serpente que por ali passava, tendo se
escondido entre os arbustos para pegá-la de surpresa.
Mari- Aaaaaaaaaaaa!
Roberto- Rápido, vamos levá-la no
posto.
Henrique- Eu ajudo a carregar.
Paula- Vamos, Tobias, mate a
cobra e traga junto.
Tobias- Certo.
Nicole- Ai que horror.
Jú- Vamos manter a calma.
E assim Mari foi socorrida e
observou de perto os procedimentos, e isso a interessou muito. Então decidiu
que gostaria de ser auxiliar de enfermagem. Muitos em Belo Horizonte dizem que
foi uma má experiência, porque depois daquilo, ela voltou para a capital, mas
ela acredita que isso foi bom, pois decidiu o que queria da vida.