terça-feira, 18 de setembro de 2012

Para ver melhor- redação 2011


Lembro-me da época em que praticava dança com as meninas mais novas do meu antigo colégio. Mas passei a valorizar mais o meu hábito de dançar balé a partir de um fato que não posso esquecer.

Estava inscrevendo-me para a colônia de férias da igreja a qual meu antigo colégio pertence quando ouvi a mãe de uma das minhas ex-colegas falando com orgulho: "Este ano minha filha vai na colônia". Neste evento passamos 10 dias em Itapeva, próximo à Torres, apenas os colonistas, sem pais e parentes.

E estavamos lá. Certo dia montaram brinquedos infláveis para a diversão dos colonistas, que tinham entre 7 e 17 anos.  Um desses brinquedões infláveis era um escorrega bem grande, um tobogã de grandes proporções, no qual essa mesma ex-colega convidara-me para brincar com ela. Na época essa menina tinha 9 anos e eu tinha 13.

Estávamos nos divertindo no brinquedo quando, após cair com impulso na superfície inflável do brinquedo, fui arremessada para um canto, e aconteceu o mesmo logo após, quando essa menina descera,  caindo em cima de mim.

E a região onde caíra fora a minha face, específicamente, bem próximo a meu olho. Por isso abriu-se  um grande corte abaixo do meu olho, que sangrou muito. E logo fiquei fraca, com confusão mental, e ainda com formigamento na metade afetada do rosto.

A menina gritava com desespero pedindo por ajuda, o que aumentava o meu grande e maior medo, que era o de ficar cega, pelo menos daquele olho. Desde o momento do acidente fechara os olhos sem os ainda ter aberto. Havia também o medo de outras sequelas, mas a principal era esta, e esse medo era o que mais me fazia sofrer.

Ousadamente abri meu olho machucado, e, conferindo que apesar de turvas as verdes árvores que cercavam o pátio ainda estavam lá, acalmei-me, ficando tranquila. Apesar de a dor e sintomas físicos ainda estarem presentes, não temia mais nada, pois, nesse caso, o medo era pior do que a dor, mesmo sendo ela muito forte.

Sabia que, não afetando à vista, o evento não me deixaria sequelas. E assim foi. Com essa situação aprendi a valorizar mais minha vista, minha saúde e também os maus momentos, para usá-los de forma proveitosa, crescendo interiormente diante da superação dos obstáculos da vida. A paz que eu tive mesmo naquele foco de tensão me abrira a mente, e de forma alguma culpo a minha ex-colega de dança por qualquer coisa. Foi algo bem construtivo para mim.

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