Lembro-me da época em que praticava dança com as meninas mais novas do
meu antigo colégio. Mas passei a valorizar mais o meu hábito de dançar balé a
partir de um fato que não posso esquecer.
Estava inscrevendo-me para a colônia de férias da igreja a qual meu
antigo colégio pertence quando ouvi a mãe de uma das minhas ex-colegas falando
com orgulho: "Este ano minha filha vai na colônia". Neste evento
passamos 10 dias em Itapeva, próximo à Torres, apenas os colonistas, sem pais e
parentes.
E estavamos lá. Certo dia montaram brinquedos infláveis para a diversão
dos colonistas, que tinham entre 7 e 17 anos.
Um desses brinquedões infláveis era um escorrega bem grande, um tobogã
de grandes proporções, no qual essa mesma ex-colega convidara-me para brincar
com ela. Na época essa menina tinha 9 anos e eu tinha 13.
Estávamos nos divertindo no brinquedo quando, após cair com impulso na
superfície inflável do brinquedo, fui arremessada para um canto, e aconteceu o
mesmo logo após, quando essa menina descera,
caindo em cima de mim.
E a região onde caíra fora a minha face, específicamente, bem próximo a
meu olho. Por isso abriu-se um grande
corte abaixo do meu olho, que sangrou muito. E logo fiquei fraca, com confusão
mental, e ainda com formigamento na metade afetada do rosto.
A menina gritava com desespero pedindo por ajuda, o que aumentava o meu
grande e maior medo, que era o de ficar cega, pelo menos daquele olho. Desde o
momento do acidente fechara os olhos sem os ainda ter aberto. Havia também o
medo de outras sequelas, mas a principal era esta, e esse medo era o que mais
me fazia sofrer.
Ousadamente abri meu olho machucado, e, conferindo que apesar de turvas
as verdes árvores que cercavam o pátio ainda estavam lá, acalmei-me, ficando
tranquila. Apesar de a dor e sintomas físicos ainda estarem presentes, não
temia mais nada, pois, nesse caso, o medo era pior do que a dor, mesmo sendo
ela muito forte.
Sabia que, não afetando à vista, o evento não me deixaria sequelas. E
assim foi. Com essa situação aprendi a valorizar mais minha vista, minha saúde
e também os maus momentos, para usá-los de forma proveitosa, crescendo
interiormente diante da superação dos obstáculos da vida. A paz que eu tive
mesmo naquele foco de tensão me abrira a mente, e de forma alguma culpo a minha
ex-colega de dança por qualquer coisa. Foi algo bem construtivo para mim.
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